sábado, 28 de junho de 2008

Quando Chove ...

Quando olho nos teus olhos
Não vejo a luz do amor
Só as sombras do passado
só um fogo que se apagou
A vida é assim
nosso espelho se quebrou
é hora de se guardar
os segredo no coração

Se chove lá fora
queima aqui dentro
de vontade de te abraçar
amor
quando chove
fica mais triste esperar
por alguém
que não vai chegar

Quando ouço teu silêncio
escuto meu coração
Bater apressado e urgente
te querendo sem querer
cansado de sofrer
Mais agora já é hora
dessa chuva ir embora
(Patrícia Marx)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O amor é vermelho ...


"Eu amo o amor.
O amor é vermelho.
O ciúme é verde.
Meus olhos são verdes.
Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros.
Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber.
À extremidade de mim estou eu.
Eu, implorante, eu a que necessita,
a que pede, a que chora, a que lamenta.
Mas a que canta.
A que diz palavras.
Palavras ao vento?
Que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo .
Eu à beira do vento.
O morro dos ventos uivante me chama.
Vou, bruxa que sou.
E transmuto ..."
(Clarice Lispector)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Topázio



Kremlin, Berlim
Só pra te ver
E poder rir
Luzes, jasmim
Meu coração, vaso quebrado
Ilusão, fugir
Da fronteira de topázio e lã
Vou até rubi
Sedução
Poder sonhar
Estupidez
Você arrasa
E me arrasou
Só pra anoitecer
O que é escuro
Ninguém me beijou
Mais puro
Tô lembrando de você
Uma vez...
Kremlin, Berlim
Pra não dizer Telaviv
Ilusão
Fugir de mim.
(Djavan) - www.djavan.com.br

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Amor pra sempre

Se eu lembrar do que passou
Eu só vou chorar
Mas seu eu pensar no que virá
Eu só quero amar
Se eu desejar um novo amor
Sei que vou te achar
Onde estará meu novo amor
Eu vou encontrar
Então virás
Então virás, meu amor
Eu só quero ser feliz
Vem novo amor
Vem pro que der e vier, é pra sempre
Eu quero você
Vem pro meu sonho se realizar
Amor sincero
Se eu lembrar do que passou
Eu só vou chorar
Mas seu eu pensar no que virá
Eu só quero amar
Se eu desejar um novo amor
Sei que vou te achar
Onde estará meu novo amor
Eu vou encontrar
Então virás
Então virás, meu amor
Eu só quero ser feliz
Vem novo amor
Vem pro que der e vier, é pra sempre
Eu quero você
Vem pro meu sonho se realizar...
(Flávio Venturini) - http://www.flavioventurini.com.br/

terça-feira, 24 de junho de 2008

Sensual

Oh linda paisagem - José Barbosa


Ainda sinto o teu corpo ao meu corpo colado;
nos lábios, a volúpia ardente do teu beijo;
no quarto a solidão, desnuda, ainda te vejo,
a olhar-me com olhar nervoso e apaixonado...

Partiste!... Mas no peito ainda sinto a ânsia e o latejo
daquele último abraço inquieto e demorado...
Na quentura do espaço a transpirar pecado.
Ainda baila a figura estranha do desejo...

Não posso mais viver sem ter-te nos meus braços!
Quando longe tu estás, minha alma se alvoroça
julgando ouvir no quarto o ruído dos teus passos...

Na lembrança revejo os momentos felizes,
e chego a acreditar que a minha carne moça
na tua carne moça até criou raízes!...

( J. G. de Araujo Jorge) http://www.jgaraujo.com.br/

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Sertão


Sebastião Salgado

O luto no Sertão...
"Pelo sertão não se tem como
não se viver sempre enlutado;
lá o luto não é de vestir,
é de nascer com, luto nato.
Sobe de dentro, tinge a pele
de um fosco fulo: é quase raça;
luto levado toda a vida
e que a vida empoeira e desgasta.
E mesmo o urubu que ali exerce,
negro tão puro noutras praças,
quando no sertão usa a batina
negra-fouveiro, pardavasca."
(João Cabral M Neto)

domingo, 22 de junho de 2008

A palavra mágica

Templo do Céu - Pequim


A palavra mágica
Certa palavra dorme na sombra de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira no mundo todo.
Se tarda o encontro,
se não a encontro, não desanimo, procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura ficará sendo minha palavra.
(Carlos Drummond)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eu quero esse amor animal ...



Mas onde já se ouviu falar num amor á distância,
Num teleamor ?
Num amor de longe…
Eu sonho é um amor pertinho…
E depois
Esse calor humano é uma coisa que todos
Até os executivos têm
É algo que acaba se perdendo no ar
No vento
No frio que agora faz…
Escuta!
O que eu quero
O que eu amo
O que eu desejo em ti
É teu calor animal… "
(Mário Quintana)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Pra mim já não importa ...


Trago nos olhos
Uma lágrima
Na boca um gosto de sal
No coração não guardo mágoas
Todo dia é um novo sol
O nosso amor passou, passou
Não acredito em volta
E se foi bom mais não durou
Pra mim já não importa
Eu quero apenas
Seguir caminho
Caminhar seguindo meu destino
E não importa o que eu faça
Sei que vou sozinho
Não faça nenhuma menção de volta
Quero apenas seguir em frente
Reconquistar meus planos
Tudo que um dia foi da gente
A vida não disfarça ela é bem diferente
(Lula Barbosa/Vanderlei Castro) - http://www.lulabarbosa.com.br/

As aparências enganam ...

As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na fogueira das paixões
Os corações pegam fogo e depois
Não há nada que os apague
Se a combustão os persegue
As labaredas e as brasas são
O alimento, o veneno, o pão
O vinho seco, a recordação
Dos tempos idos de comunhão
Sonhos vividos de conviver
As aparências enganam
Aos que odeiam e aos que amam
Porque o amor e o ódio
Se irmanam na geleira das paixões
Os corações viram gelo e depois
Não há nada que os degele
Se a neve cobrindo a pele
Vai esfriando por dentro o ser
Não há mais forma de se aquecer
Não há mais tempo de se esquentar
Não há mais nada pra se fazer
Se não chorar sob o cobertor
(Tunai/Sérgio Natureza) - http://www.tunai.com.br/

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Ressuscita-me ...


Talvez, quem sabe, um dia
Por uma alameda do zoológico
Ela também chegará
Ela que também amava os animais
Entrará sorridente assim como está
Na foto sobre a mesa
Ela é tão bonita
Ela é tão bonita que na certa
eles a ressuscitarão
O século 30 vencerá
O coração destroçado já
Pelas mesquinharias
Agora vamos alcançar
Tudo que não podemos amar na vida
Com o estrelar das noites inumeráveis
Ressuscita-me
Ainda que mais não seja
Porque sou poeta e ansiava o futuro
Ressuscita-me
Lutando contra as misérias do cotidiano
Ressuscita-me por isso
Ressuscita-me
Quero acabar de viver o que me cabe
Minha vida
Para que não mais exista amores servis
Ressuscita-me
Para que ninguém mais tenha
De sacrificar-se por uma casa ou um buraco
Ressuscita-me
Para que a partir de hoje
A partir de hoje
A família se transforme
E o pai
Seja, pelo menos, o universo
E a mãe
Seja, no mínimo, a terra
A terra...
(Caetano Veloso/Ney Costa Santos)

Fernando Pessoa




Sossega, coração!Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
(Fernando Pessoa)

domingo, 15 de junho de 2008

Lembra de mim?

Lembra de mim!
Dos beijos que escrevi
Nos muros a giz
Os mais bonitos
Continuam por lá
Documentando
Que alguém foi feliz...
Lembra de mim!
Nós dois nas ruas
Provocando os casais
Amando mais
Do que o amor é capaz
Perto daqui
Há tempos atrás...
Lembra de mim!
A gente sempre
Se casava ao luar
Depois jogava
Os nossos corpos no mar
Tão naufragados
E exaustos de amar...
Lembra de mim!
Se existe um pouco
De prazer em sofrer
Querer te ver
Talvez eu fosse capaz
Perto daqui
Ou tarde demais...
Lembra de mim!...
(Ivan Lins/Vitor Martins)

Viagem ...

Vai abandona a morte em vida em que hoje estás
Ao lugar onde essa angustia se desfaz
E o veneno e a solidão mudam de cor
Vai indo amor
Vai recupera a paz perdida e as ilusões,
não espera vir a vida às tuas mãos
Faz em fera a flor ferida e vai lutar
Pro amor voltar
Vai faz de um corpo de mulher estrada e sol
Te faz aman...te
Faz meu peito errante
Acreditar que amanheceu
Vai corpo inteiro mergulhar no teu amor
Nesse momen...to vai ser teu momento
O mundo inteiro vai ser teu, teu, teu...
(Taiguara)

A minha dor ...


Cuidar do pé de milho
que demora na semente
meu pai disse: meu filho noite fria,
tempo quente
lambada de serpente
a traição me enfeitiçou
quem tem amor ausente
já viveu a minha dor
do chão da minha terra
um lamento de corrente.
Um grão de pé de guerra
prá colher dente por dente
lambada de serpente
a traição me enfeitiçou
quem tem amor ausente
já viveu a minha dor ...
(Djavan)

Cordas de aço ...

Foto: Paulo Berton

Ah, essas cordas de aço
Este minúsculo braço
Do violão que os dedos meus acariciam
Ah, este bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão
Compreende porque perdi toda alegria
E no entanto meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher
Até hoje está nos esperando
Solte o teu som da madeira
Eu você e a companheira
Na madrugada iremos pra casa
Cantando...
(Cartola)

Foto: Carlos Oliveira (violonista,compositor e professor) , para conhecer seu trabalho acesse: http://www.carlinhosoliveira.com/ www.myspace.com/carlinhosoliveira

Noites com sol


Ouvi dizer que são milagres
Noites com sol
Mas hoje eu sei não são miragens
Noites com sol
Posso entender o que diz a rosa
Ao rouxinol
Peço um amor que me conceda
Noites com sol
Onde só tem o breu
Vem me trazer o sol
Vem me trazer amor
Pode abrir a janela
Noites com o sol e neblinas
Deixa rolar nas retinas
Deixa entrar o sol
Livre será se não te prendem
Constelações
Então verás que não se vendem
Ilusões?
Vem que eu estou tão só
Vamos fazer amor
Vem me trazer o sol
Vem me livrar do abandono
Meu coração não tem dono
Vem me aquecer nesse outono
Deixa o sol entrar
Pode abrir a janela
Noites com sol são mais belas
Certas canções são eternas
Deixa o sol entrar
(Flávio Venturini/Ronaldo Bastos)

Palavras ao vento



Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será
Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras...
(Marisa Monte/Moraes Moreira)

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Presente ...


Esse foi o presente que Ly Ferraz me deu: A Vida, o Músico e o Blues...
E o violonista se foi ...


"A Vida nostálgica estava
Todo dia era nublado.
Toda noite não tinha estrela.
O colorido era em preto e branco,
e os risos na verdade, eram feitos de lágrimas.
E ao fundo acordes doces e tristes de blues a acompanhavam.
O Músico sem seu amor,
transformava lágrimas em poesia,
tristeza em músicas.
Músicas.
Sem rimas.
Sem nexos.
Apenas sentimento e som.
Desses que só entende quem na vida já viveu essa dor.
A Vida mesmo sabendo que,
a vida do Músico é a musica.
Se entregou a este amor,
Sonhou.
Fantasiou.
Promessas.
Tatuagens.
Lingeries.
Se guardou.
(Silêncio)
Ausência.
Intuição.
O Blues volta a Vida acompanhar.
Álias o Blues, nunca parou de tocar.
A Vida, o Músico e o Blues, esse texto é uma homenagem a aniversariante do dia: Carmen Lima.
Desejo toda felicidade, todas as borboletas, e toda a liberdade do mundo pra você!!!
Que sua vida seja música e poesia!!" Ly Ferraz - http://www.castelodali.blogspot.com/

terça-feira, 10 de junho de 2008

Constante

Leeh


Olha quem chega
Se não é teu acaso encanto
Que me olha nos olhos e troveja
Boceja
Num preto brilhante,
Tua pupila que dilata,
Nega e hipnotiza num azul falante
Tua procura errante me despista
Olha lá, se não me procuras
E não me persegues,
Olha lá segue esse fascínio
E na loucura se entregue
Se não me proteges
Olha que o amor não é variante
É desejo e agrado, é gostar num instante
Nessa hora quase calo o meu sorriso tolo
E é quando minha perda se torna tua busca
(Constante - Leeh) www.myspace.com/musicaepoesia /http://www.catandoversos.blogspot.com/

domingo, 8 de junho de 2008

Nossa Vida ...




Esvaziando os armários de nossa vida
(Wilson Meiler)

Todos os anos, há um momento em que olhamos nossos armários com um olhar crítico.
Olhamos aquelas roupas que não usamos há tanto tempo.
Aquelas que tiramos do cabide de vez em quando, vestimos, olhamos no espelho, confirmamos mais uma vez que não gostamos e guardamos de volta no armário.
Aquele sapato que machuca os pés, mas insistimos em mantê-lo guardado. Há ainda aquele terno caro, mas que o paletó não cai bem, ou o vestido "espetacular" ganho de presente de alguém que amamos, mas que não combina conosco e nunca usamos. Às vezes tiramos alguma coisa e damos para alguém, mas a maior parte fica lá,guardada sabe- se lá porquê.
Um dia alguém me disse: tudo o que não lhe serve mais e você mantém guardado, só lhe traz energias negativas.
Livre-se de tudo o que não usa e verá como lhe fará bem.
Acontece que nosso guarda-roupa não é o único lugar da vida onde guardamos coisas que não nos servem mais. Você tem um guarda-roupa desses no interior da mente. Dê uma olhada séria no que anda guardando lá.
Experimente esvaziar e fazer uma limpeza naquilo que não lhe serve mais. Jogue fora idéias, crenças, maneiras de viver ou experiências que não lhe acrescentam nada e lhe roubam energia. Faça uma limpeza nas amizades, aqueles amigos cujos interesses não têm mais nada a ver com os seus.
Aproveite e tire de seu "armário" aquelas pessoas negativas, tóxicas, sem entusiasmo, que tentam lhe arrastar para o fundo dos seus próprios poços de tristezas, ressentimentos, mágoas e sofrimento. A insegurança dessas pessoas faz com que busquem outras para lhes fazer companhia, e lá vai você junto com elas.
Junte-se a pessoas entusiasmadas que o apóiem em seus sonhos e projetos pessoais e profissionais. Não espere um momento certo, ou mesmo o final do ano, para fazer essa "faxina interior".
Comece agora e experimente aquele sentimento gostoso de liberdade.
Liberdade de não ter de guardar o que não lhe serve.
Liberdade de experimentar o desapego.
Liberdade de saber que mudou, mudou para melhor, e que só usa as coisas que verdadeiramente lhe servem e fazem bem.
"Vou-te contar um segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração.
O essencial é invisível para os olhos ." (Antoine Saint-Exupéry)

Saudade

Claude Monet

"Saudade" Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar quem sabe...... nos e-mails trocados.
Podemos nos telefonar conversar algumas bobagens....
Aí os dias vão passar, meses...anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro.
Vamos nos perder no tempo....Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão? Quem são aquelas pessoas?
Diremos...Que eram nossos amigos. E...... isso vai doer tanto!
Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente......
Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um ultimo adeus de um amigo. E entrelágrima nos abraçaremos.
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado.
E nos perderemos no tempo.....
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo : não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades seja a causa de grandes tempestades....
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
(Fernando Pessoa)

Madrugada



Madrugada me olha.

Vê em meus olhos um amor perdido,
a minha face de bandido
e um corpo amadurecido

Vê o verde, que na lembrança chora
e o azul, que na esperança, aflora

Apesar do olhar,
só quero seu corpo suave afagar,
e neste momento,....... te amar

É o meu alento....
É o meu tormento.

Assim, meu corpo amadurecido,
de amor consumido, ferido,
renasce triunfante
mesmo que seja só por um instante

Madrugada me toca.

Sente o meu corpo amigo.

Sabe que me provoca,
me abraça e caminha comigo.

Apesar do tocar,
só quero sua pele macia acariciar
e neste momento........ te amar

É o meu alento......
É o meu tormento.

Assim, a minha face de bandido
cortada pela flecha do cupido,
vira face de menino

Ah! madrugada!

Neste momento escurecido
acaricio sua brisa encantada
provoco sua sêde imaculada.

Neste momento indefinido
afago sua alma molhada
beijo sua boca calada.

Encontro o amor perdido,
e da luz do dia,.... me desligo
até o sol brilhar na alvorada
e apagar seu brilho, querida madrugada
(Humberto Neto)

A Pessoa errada


Pensando bem, em tudo o que a gente vê, e vivencia, e ouve e pensa, não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que, se você for parar pra pensar é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa faz tudo certinho. Chega na hora certa, Fala as coisas certas
Faz as coisas certas, mas nem sempre a gente está precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
Que é pra na hora que vocês se encontrarem
A entrega ser muito mais verdadeira
A pessoa errada é na verdade, aquilo que a gente chama de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar
Mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas
Essa pessoa vai tirar seu sono
Mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível
Essa pessoa talvez te magoe
E depois te enche de mimos pedindo seu perdão
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado
Mas vai estar 100% da vida dela esperando você
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo
Porque a vida não é certa
Nada aqui é certo
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento, cada segundo
Amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando, agindo, querendo, conseguindo.
E só assim é possível chegar àquele momento do dia
Em que a gente diz: "Graças à Deus deu tudo certo"
Quando na verdade
Tudo o que Ele quer
É que a gente encontre a pessoa errada
Pra que as coisas comecem a realmente funcionar direito pra gente...
Nossa missão: Compreender o universo de cada ser humano, respeitar as diferenças, brindar as descobertas, buscar a evolução.
(Luiz Fernando Veríssimo)

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Você vai ver ...

Você vai ver
Você vai implorar
me pedir pra voltar
E eu vou dizer
Dessa vez não vai dar
Eu fui gostar de você
Dei carinho,
amor pra valer
Dei tanto amor
Mas você queria só prazer
Você zombou
E brincou com as coisas
mais serias que eu fiz
Quando eu tentei
Com você ser feliz
Era tão forte a ilusão
Que prendia o meu coração
Você matou a ilusão
Libertou meu coração
Hoje é você que vai ter de chorar
Você vai ver...
(Tom Jobim)

domingo, 1 de junho de 2008

E eu que pensei que sabia tudo ...

A canção tocou na hora errada
E eu que pensei que eu sabia tudo
Mas se é você eu não sei nada
Quando ouvi a canção,era madrugada
Eu vi você, até sentir tua mão
E achei até que me caia bem como uma luva
Mas veio a chuva e ficou tudo tão desigual
A canção tocou no rádio agora
Mas você não pôde ouvir por causa do temporal
Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma
Mas já não sei de que forma mesmo você foi embora
A canção tocou na hora errada
Mas não tem nada não,
Eu até lembrei
Das rosas que dão no inverno
Mas guardei tuas cartas com letras de fôrma
Mas já não sei de que forma mesmo você foi embora...
(Ana Carolina)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Aceitarás?


Aceitarás o amor como eu o encaro ?...
Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.
Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.
Não exijas mais nada.
Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.
Que grandeza... a evasão total do peito
Que nasce das imperfeições.
O encanto
Que nasce das adorações serenas.
(Mário de Andrade)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Volta prá casa, fica comigo ...

Modelo - Aldemir Martins

"Tenho pensado muito na vida
Volta bandida mata essa dor
Volta pra casa, fica comigo
Eu te perdôo com raiva e amor
Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha a tua boca na minha boca
A tua boca é meu doce é meu sal
Mas quem sou eu nesta vida tão louca?
Mais um palhaço no teu carnaval
Casa de sombra vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo
Vem que eu te espero tremendo de amor... "
(trecho de "Gabriela" - Tom Jobim)

domingo, 25 de maio de 2008

Alguns abraços



Preciso de alguns abraços,
aqueles sinceros, de amigo
que me queira muito.
Abraços que acalentem
os sonhos que ainda possuo.
Aqueles que possam dar-me
desejo de prosseguir.
Aqueles que com toques,
despertem meus sentimentos,
façam-me voltar
a ser uma mulher doce,
a fêmea, a amante
amorosa e destemida,
como as dos contos quixotescos
de Lancelot e Güinevère
Napoleão e Josefina...
(Marlene A A Reis)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Gata todo dia


Eu sou uma gata
E não gosto de água fria
Pega logo no meu pelo
Seu carinho me arrepia
Não quero água
Tomo banho é de lambida
Tiro o gosto desse corpo
E ainda tenho sete vidas
Então se toque
Porque o amor não é
Só distração
A vida arranha
E se eu faço rock
Eu faço manha
Meu bem me dê sua atenção
Não faço nada
E ainda morro de preguiça
Tenho sono o dia inteiro
Madrugada é que me atiça
Não tenho dono
Mando na minha cabeça
Um dia desses eu me mando
Enquanto isso não se esqueça
Tome cuidado
Porque o amor não é
Só distração
A vida arranha
E se eu faço rock
Eu faço manha
Meu bem me dê sua atenção ...
(Léo Jaime/Tavinho Paes e Marina Lima)

terça-feira, 20 de maio de 2008

Com encantos vieste ...


Vieste
Na hora exata,
com ares de festa
E luas de prata...
Vieste
Com encantos, vieste,
com beijos silvestres
Colhidos pra mim...
Vieste
Com a Natureza,
com as mãos camponesas
Plantadas em mim...
Vieste
Com a cara e a coragem,
com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor...
Vieste
À hora e a tempo,
soltando meus barcos
E velas ao vento...
Vieste
Me dando alento,
me olhando por dentro
Velando por mim...
Vieste
De olhos fechados,
num dia marcado
Sagrado pra mim...
Vieste
Com a cara e a coragem,
com malas, viagens
Pra dentro de mim, meu amor...
(Ivan Lins/Vitor Martins)

Bolero Blues

Quando eu ainda estava moço
Algum pressentimento
Me trazia volta e meia
Por aqui
Talvez à espera da garota
Que naquele tempo
Andava longe,muito longe
De existir
Tantos tristes fados eu compus
Quanto choro em vão,bolero blues
Eis que do nada ela aparece
Com o vestido ao vento
Já tão desejada
Que não cabe em si
Neste crucial momento
Neste cruzamento
Se ela olhar para trás
É bem capaz de num lamento
Acudir ao meu olhar mendigo
Mas aquela ingrata corre
E a Barão da Torre e a Vinícius de Moraes
São de repente estranhas ruas
Sem o seu vestido ficam nuas
E ao vento eu digo-tarde demais
Quando ela já não mais garota
Der a meia-volta
Claro que não vou estar mais nem aí

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:Você nasceu para mim
Você nasceu para mim
Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons
(Chico Buarque/Jorge Helder)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Não vou voar não ...

Pode quebrar,
sofrer, cair, descer,
contorcer de dor
Não vou mais me prender a você ,
fazer o mesmo show
Vou bater na porta da vida ,
receber e pagar
Sem ter que me entregar a ninguém ,
seu muito pra mim
É pouco
eu quero a paz e viver solto
Vai dizer que sou louco...
sou não
Eu me cansei de ser seu avião
não vou voar não
(Djavan)

sábado, 17 de maio de 2008

Tô esperando pra ver se você vem


Tava esperando um telefonema seu
Tava precisando de uma voz no ouvido
Tava imaginando teu olhar mirando o meu
Tava desejando um beijo em teu umbigo
Tá legal, falei o que não devia
Me dei mal, amanheceu um novo dia,
Já esqueci, pensei em ti decidi:
Tô aqui esperando pra ver se você vem.
Deixa de lado essa tristeza.
Beija e afasta esse tormento
Deita nesse amor desarrumado
Chega de perder tanto tempo
(Voz no Ouvido - Jair Oliveira)

Eu Te Amo


Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir.
(Tom Jobim/Chico Buarque)

Ainda tem o seu perfume


Entre por essa porta agora
e diga que me adora
Você tem meia hora
pra mudar a minha vida
Vem vambora
que o que você demora
é o que o tempo leva
Ainda tem o seu perfume pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro“ Dentro da noite veloz”
Ainda tem o seu perfume pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro
na “Cinza das horas”
(Adriana Calcanhotto)

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Vermelho


Quero escrever o borrão vermelho de sangue
com as gotas e coágulos pingando
de dentro para dentro.
Quero escrever amarelo-ouro
com raios de translucidez.
Que não me entendam pouco-se-me-dá.
Nada tenho a perder.
Jogo tudo na violência
que sempre me povoou,
ogrito áspero e agudo e prolongado,
o grito que eu,
por falso respeito humano,não dei.
Mas aqui vai o meu berro
me rasgando as profundas entranhas
de onde brota o estertor ambicionado.
Quero abarcar o mundo
com o terremoto causado pelo grito.
O clímax de minha vida será a morte.
Quero escrever noções
sem o uso abusivo da palavra.
Só me resta ficar nua:nada tenho mais a perder.
(Clarice Lispector)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Suas palavras ...

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas...
e que estão escritas
do lado de fora do papel...
Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo,
ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!
(Mário Quintana)

Vida louca

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
Se ninguém olha quando você passa
você logo acha "Eu to carente''
Eu sou "manchete popular"
Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Desta eterna falta do que falar
Se ninguém olha quando você passa
você logo acha que a vida voltou ao normal
Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual
Se niguém olha quando você passa
você logo diz "Palhaço"
Você acha que não tá legal
Corre todos os perigos, perde os sentidos
Você passa mal
Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
(Lobão/Bernardo Vilhena)

Preciso me encontrar


Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...
(Candeia)

Conheci os céus pelos olhos seus

Eu, prisioneiro meu
Descobri no breu
Uma constelação
Céus
Conheci os céus
Pelos olhos seus
Véu de contemplação
Deus condenado eu fui
A forjar o amor
No aço do rancor
E assim transpor as leis
Mesquinhas dos mortais
Vou
Entre a redenção
E o esplendor de por você viver
Sim
Quis sair de mim
Esquecer quem sou
E respirar por ti
E assim transpor as leis
Mesquinhas dos mortais
Agoniza
Virgem fênix o amor
Entre cinzas arco-íris e esplendor
Por viver as juras de satisfazer
O ego mortal
Coisa pequenina
Centelha divina
Renascer das cinzas
Onde foi ruína
Pássaro ferido
Hoje é paraíso
Luz da minha vida
Pedra de alquimia
Tudo que eu queria
Renascer das cinzas
Quando o frio vem aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
A luz da escuridão
E a dor revela a mais esplêndida
Emoção
O amor
(Flávio Venturini/Jorge Vercilo)

E eu vou lembrar você...


Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você
É... mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...
(Ana Carolina/Totonho Villeroy)

De um jeito que não sai


Teu sabor, teu aroma
tuas digitais
tudo teu, me tocou de um jeito que não sai
me invadiu, se instalou
só sei que esse amorf
az de mim, o que quer
gosto assim como é
é igual ao cigano
sempre tão fulgás
conseguiu me prender
de um jeito que nao sai
disfarçar, se conter nao cabe na paixão
só tocar tua tês e te amar outra vez
por favor escuta quem te adoras
em você o que eu seria agora?
(Ivan Lins/Vítor Martins)

terça-feira, 13 de maio de 2008

Quero ...

Tela - A Saxofonista - Claudyo Casares



Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refúgio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó, nem fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou vidraça
Quero uma estrada que leve à verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável
Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris
Quero rodar nas asas do girassol
Fazer cristais com gotas de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leve a face da lua...

(Thomas Roth)

Amar

Foto: by Foguinho


Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? Amar e esquecer ,amar e malamar, amar, desamar, amar? Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar?Amar o que o mar traz à praia, e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

(Carlos Drummond)

Por não estarem distraídos ...

Foto: by Foguinho



Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

(Clarice Lispector)

Serenata


Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
(Cecília Meireles)

sábado, 10 de maio de 2008

Os Três Mal-Amados ...

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato.
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço.
O amor comeu meus cartões de visita.
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas.
O amor comeu metros e metros de gravatas.
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus.
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas.
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X.
Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia.
Comeu em meus livros de prosa as citações em verso.
Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete.
Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa.
Bebeu a água dos copos e das quartinhas.
Comeu o pão de propósito escondido.
Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas.
O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras.
Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade.
Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré.
Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia.
Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas.
Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam.
Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta.
Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra.
Meu dia e minha noite.
Meu inverno e meu verão.
Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
(João Cabral de Melo Neto)

Para Ana Luiza...


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
(Cecília Meireles)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Só eu sei ...



Só eu sei
As esquinas
Por que passei
Só eu sei
Sabe lá
O que é não ter
E ter que ter pra dar
Sabe lá
E quem será
Nos arredores do amor
Que vai saber separar
Que o dia nasceu?
Só eu sei
Os desertos
Que atravessei
Só eu sei
Sabe lá
O que é morrer de sede
Em frente ao mar
Sabe lá
E quem será
Na correnteza do amor
Que vai saber se guiar?
A nave em breve
Ao vento vaga
De leve e traz
Toda paz
Que um dia
O desejo levou ...
(Djavan)