
sábado, 16 de julho de 2011
Fecha os olhos e confessa

sábado, 9 de julho de 2011
Edredom faz bem

A noite é fria, essa dama se deita
E se deleita envolta no edredom
Mesmo com frio lá fora fustigando
Ela transpira, tem um sonho bom,
Sonho daqueles de sonhar com anjo
Que toque banjo, baixo ou violão
E que a enleve e leve até a Lua
Arfante, nua e entregue de paixão
O Sol faz com que ela se recobre,
Deusa de cobre, estátua de prazer,
E acorde satisfeita e renascida
Ganhando vida e fazendo viver
O anjo que pensa em quando ela dorme
E se transforma e transpira também,
Saliva, arfa, pulsa e cai gemendo
Feliz, dizendo: “Edredom faz bem...”
domingo, 3 de julho de 2011
Feito pra acabar

Quem me diz
Da estrada que não cabe onde termina
Da luz que cega quando te ilumina
Da pergunta que emudece o coração
Quantas são
As dores e alegrias de uma vida
Jogadas na explosão de tantas vidas
Vezes tudo que não cabe no querer
Vai saber
Se olhando bem no rosto do impossível
O véu, o vento o alvo invisível
Se desvenda o que nos une ainda assim
A gente é feito pra acabar
A gente é feito pra dizer
Que sim
A gente é feito pra caber
No mar
E isso nunca vai ter fim
(José Miguel Wisnik/Marcelo Jeneci/Paulo Neves)
sábado, 2 de julho de 2011
Ninfa

Sou uma ninfa
estas ruas da cidade
ou jardins dos bairros
são estranhos para mim.
Vivo num mundo de sonhos
percorrendo bosques encantados
onde diáfanas e etéreas mulheres
entoam cânticos de amor
fascinadas pela emoção de amar!
Amar inconsequentemente
numa insensatez sem pecado!
E entre as flores
que formaram o buque
de imagens místicas
predominou de repente a liliácea!
A ela entoarei
minhas últimas preces para que se extasie,
infinitamente!
(Cassandra Rios)
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Tento chegar do meu modo
E é porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo.
É porque ainda não sei ceder.
É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. (...)
É também porque eu me ofendo à toa.
É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade,
pois sou muito teimosa. (...)
Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes.
Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente.
Talvez eu tenha que chamar de “mundo”
esse meu modo de ser um pouco de tudo.
(Clarice Lispector- Felicidade Clandestina)
domingo, 26 de junho de 2011
Meu mundo
O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que eu nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessimista;
sou antes uma exaltada, com uma alma intensa ...
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade… sei lá de quê!
(Clarice Lispector)
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Foi pra Ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
(Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas")
domingo, 19 de junho de 2011
Pequenos Milagres
A gente nem percebe, mas pequenos milagres acontecem a toda hora.
O estímulo de uma palavra amiga, a cumplicidade de um sorriso, a sutileza de um gesto...
Essas são pequenas coisas que podem mudar o nosso dia.
E sem sentir, a gente também acaba fazendo milagres por aí também.
Sabe aquele conselho, aquele toque no amigo que precisa de ajuda?
Pois é, parece bobagem, mas a gente pode transformar o humor de alguém com um simples carinho.
E quantas vezes nós mesmos não experimentamos pequenos milagres?
O elogio inesperado de um colega no trabalho.
O telefonema do filho que está longe.
O resultado feliz de um exame de saúde.
O doce bom na sobremesa.
A folga pra ir à praia.
O caminho sem engarrafamento.
Pequenos milagres são porções de alegria
que a gente vai ganhando ou doando todos os dias.
São pedacinhos de cor que enfeitam a alma.
São trechos de música que acalmam o coração.
Por menores que sejam os resultados, por mais anônimos que sejam os sucessos...
Os pequenos milagres precisam existir
pra que a gente não esqueça nunca do milagre maior de estarmos vivos.
(Lena Gino)
sábado, 18 de junho de 2011
Liberdade

Que nada nos limite.
Que nada nos defina.
Que nada nos sujeite.
Que a liberdade seja a nossa própria substância.
Vivemos amores necessários e contingentes.
Embora o primeiro seja o caminho,
o repouso e o segundo vibração e êxtase;
ao louvar os amores necessários que tive,
não posso esquecer dos outros, que passaram na sombra,
mas que nunca deixaram de viver em mim.
(Simone de Beauvoir)
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Não és os Outros
Não há de te salvar o que deixaram
Escrito aqueles que o teu medo implora;
Não és os outros e encontras-te agora
No meio do labirinto que tramaram
Teus passos.
Não te salva a agonia ...
De Jesus ou de Sócrates
ou o forte Siddharta de ouro
que aceitou a morte
Naquele jardim, ao declinar o dia.
Também é pó cada palavra escrita
Por tua mão ou o verbo pronunciado
Pela boca.
Não há pena no Fado
E a noite de Deus é infinita.
Tua matéria é o tempo, o incessante Tempo.
E és cada solitário instante.
(Não és os Outros - Jorge Luis Borges, in "A Moeda de Ferro" Tradução de Fernando Pinto do Amaral)
terça-feira, 14 de junho de 2011
Basta o essencial

Meu tempo tonou-se escasso para debater rótulos,
quero a essência, minha alma tem pressa.
Quero viver ao lado de gente humana,
muito humana que sabe rir, amar sem julgar,
rir de seus tropeços, não se encantar com triunfos,
não se considerar eleita antes da hora,
não fugir de sua mortalidade.
Só há que caminhar de coisas e pessoas de verdade...
Para mim, basta o essencial.
(Mário Quintana)
domingo, 12 de junho de 2011
As Mensageiras

Frémito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doído anseio dos meus braços a abraçar-te,
Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!
E vejo-te tão longe!
Sinto tua alma Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que não me amas...
E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...
(Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas")
sábado, 11 de junho de 2011
O Amor

Quando encontrar alguém e esse alguém
fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção:
pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta:
pode ser a pessoa que você está esperando
desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso,
se o beijo for apaixonante,
os olhos se encherem d’água neste momento,
perceba:
existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa,
se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração,
agradeça:
Deus te mandou um presente:
O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego
para a melhor coisa da vida:
O AMOR!
(Carlos Drummond de Andrade)
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Ser feliz de novo

Gaste seu amor.
Usufrua-o até o fim.
Enfrente os bons e os maus momentos,
passe por tudo que tiver que passar, não se economize.
Sinta todos os sabores que o amor tem,
desde o adocicado do início até o amargo do fim,
mas não saia da história na metade.
Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo,
fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.
(Martha Medeiros)
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Confusão

Meu coração é teu coração?
Quem me reflexa pensamentos?
Quem me presta esta paixão sem raízes?
Por que muda meu traje de cores?
Tudo é encruzilhada!
Por que vês no céu tanta estrela?
Irmão, és tu ou sou eu?
E estas mãos tão frias são daquele?
Vejo-me pelos ocasos,
e um formigueiro de gente anda por meu coração.
(Federico García Lorca, in 'Poemas Esparsos' Tradução de Oscar Mendes)
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Quantas almas tenho?

Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi nem acabei
De tanto ser, só tenho alma
Quem tem alma não tem calma
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é.
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu
Sou minha própria paisagem
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)
terça-feira, 31 de maio de 2011
Tô de bem!
Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém.
Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem.
Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem.
Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém.
Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também.
Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem.
Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem?
Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém.
Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem.
Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem.
(Caio F Abreu)
sábado, 28 de maio de 2011
A gente sempre volta!

Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar.
Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor até que venha a próxima, normais que somos.
(Martha Medeiros)
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Em que espelho ficou minha face?

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
... eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?
(Cecília Meireles)
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Primeiro capítulo

terça-feira, 24 de maio de 2011
Exausto
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Poetas Velhos
Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.
Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.
(Paulo Leminski)
quinta-feira, 12 de maio de 2011
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Som
sábado, 7 de maio de 2011
Anais Nin

Um homem jamais pode entender o tipo de solidão que uma mulher experimenta. Um homem se deita sobre o útero da mulher apenas para se fortalecer, ele se nutre desta fusão, se ergue e vai ao mundo, a seu trabalho, a sua batalha, sua arte.
Ele não é solitário.
Ele é ocupado.
A memória de nadar no líquido aminótico lhe dá energia, completude.
A mulher pode ser ocupada também, mas ela se sente vazia.
Sensualidade para ela não é apenas uma onda de prazer em que ela se banhou, uma carga elétrica de prazer no contato com outra.
Quando o homem se deita sobre o útero dela, ela é preenchida, cada ato de amor, ter o homem dentro dela, um ato de nascer e renascer, carregar uma criança e carregar um homem.
Toda vez que o homem deita em seu útero se renova no desejo de agir, de ser.
Mas para uma mulher, o climax não é o nascimento, mas o momento em que o homem descansa dentro dela.
(Anais Nin)
quinta-feira, 5 de maio de 2011
A carne é triste

A carne é triste depois da felação
Depois do sessenta e nove a carne é triste.
É areia, o prazer?
Não há mais nada
Após esse tremor?
Só esperar
Outra convulsão, outro prazer
tão fundo na aparência
mas tão rasona eletricidade do minuto?
Já dilui o orgasmo na lembrança
E gosma
escorre lentamente de tua vida.
(Carlos Drummond de Andrade)
quarta-feira, 4 de maio de 2011
John Lee Hooker, Stevie Ray Vaughan, Robert Cray, Roy Rogers — Boogie Ja...
Música me cura de tudo ... algumas partes de mim ... somente o Blues!
terça-feira, 3 de maio de 2011
Desejos

Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo.
E que descanso me dás
Depois das lidas.
Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.
(Hilda Hist)
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Infinito

Tô perdido por alguém
Não consigo ver nada além
Do que eu digo nada sei
Compreender o amor
Não é de hoje
Já vai longe
E nem sinal
Hoje
Estou longe
Preso a você
Livre na prisão
Sem castigo
Faz chorar
Distraído rói devagar
É pedindo que Deus dá
Por falar no amor
Acho que vou buscar
Viver por você
Ou me acabar
Quem mandou me acorrentar
Fazer-me refém
Nas grades do amor
Te vejo lá no luar
Te espero lá do sol.
(Djavan)
domingo, 1 de maio de 2011
Cólera

Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.
(Memórias de Minhas Putas Tristes - Gabriel García Márquez)
sábado, 30 de abril de 2011
Valsa para Leila

Tu te estufará...
me neblinarei sobre os telhados, galáxia azuis.
Sonambularás, te voltarei gatos lambendo as estrelas...
Wendy e Peter Pan
sem o amanhã, nunca para nós dois, é sempre cedo.
Marietarás e eu Buarquirei em dois cavalos com asas de luz.
Tu te nublarás, me eclipsarei... nuvens em nossa cabeça.
Toma, Peter Pan, só um Lexotan pra que tanto amor não te enlouqueça.
Vagalumarás por você sobre campo o campo,
eu virei do mar, teu pirilampo...
Como um circo aceso, o céu da manhã saudará o amor que não dormir.
Tu desabará... eu despencarei... e o amor azul vai nos cobrir.
(Aldir Blanc/Guinga)
quarta-feira, 27 de abril de 2011
E se tivesse ficado?

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais - por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia – qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
(Caio Fernando Abreu)
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Noite e Dia

Nos lençóis da cama, bela manhã
No jeito de acordar
A pele branca, gata garota
No peito a ronronar
Seu fingir dormindo, lindo
Você está me convidando
Menina quer brincar de amar
Você esta me convidando
Menina quer brincar...
No escuro do quarto, bela na noite
Nas ondas do luar
Seus olhos negros, pantera nua
Vem me hipnotizar
Eu olho sorrindo, lindo!
Você está me convidando
Menina quer brincar de amar
Você está me convidando
Menina quer brincar...
Você está me convidando
Menina quer brincar de amar
Você esta me convidando
Menina quer brincar...
(Lobão/Julio Barroso)
Novo Novelo

Não me culpe por coisas passadas
Não reabra essas velhas feridas
Porque nas cicatrizes fechadas
Existem guardadas dezenas de vidas
Não condene essas fases erradas
E não lembre as antigas fraquezas
Que das recordações apagadas
As mais atiçadas são de novo acesas
Não me queira mudar as passadas
Não procure afastar-me das ruas
Porque na confusão das calçadas
Existem ciladas maiores que as tuas
Não receie por causas deixadas
Não se iluda com o seu pesadelo
Porque a vida no fim das estradas
Começa as meadas de um novo novelo
(Sueli Costa/Paulo César Pinheiro)
sábado, 23 de abril de 2011
Jobim ... Falando de Amor

Se eu pudesse por um dia
Esse amor, essa alegria
Eu te juro, te daria
Se pudesse esse amor todo dia
Chega perto, vem sem medo
Chega mais meu coração
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro canção
Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro, teu jeito de flor
Não negavas um beijinho
A quem anda perdido de amor
Chora flauta, chora pinho
Choro eu o teu cantor
Chora manso, bem baixinho
Nesse choro falando de amor
Quando passas, tão bonita
Nessa rua banhada de sol
Minha alma segue aflita
E eu me esqueço até do futebol
Vem depressa, vem sem medo
Foi pra ti meu coração
Que eu guardei esse segredo
Escondido num choro canção
Lá no fundo do meu coração
(Antonio Carlos Jobim)
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Desafinados
Para ver os olhos da amada
Eu queria poesia
Para ver a música nascida com o tempo
Eu queria um alento arredio
Que me embrulhasse a candura
Do cio
Na seu calibre de navio
Na sua sustança de pavio
Que monta guarda no paiol.
Eu queria o amor embrulhado na paixão
Com seus rigores de sol.
Eu queria a noite
Com seus mares de açoite
Desafinados em si bemol.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
100 anos de Noel Rosa
O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia
(Filosofia - Noel Rosa)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Flores de Amsterdã
As mulheres mais lindas do mundo
E eu lembrando da minha
Como pode um amor ir mais fundo no meu coração?
Quanto mais uma loura me olhava
Eu mais, minha neguinha,
Te lembrava e dizia "D'ocê eu num largo mais não"
Mais levava tua foto apertada em meu peito praieiroMais inteiro me via e pra Santa fazia oração
Que quem guia, guiasse
Quem reza, rezasse
Quem fala, falasse
Ou cantasse com a voz cirandeira
Que quem toca, tocasse
Quem chora, chorasse
Quem cala, calasse
E ouvisse e eu soubesse alemão
Que um xodó lindo assim como o nosso
Fosse a vida inteira
Fosse além desse mundo de barro
Cabasse mais não
Crie filhos e forças e rumos
Parasse mais não
Fosse além desse mundo de barro
Quebrasse mais não
Flores de Amsterdã
Beijos de hortelã
Para minha neguinha
Tarde, noite e manhã
Corpo e mente sã
Para minha neguinha
(Lui Coimbra)
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Amando Loucamente
Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios e tudo bem. Ou: que se há de fazer.
(Caio Fernando Abreu)
sábado, 18 de setembro de 2010
Aflição

Aflição de ser eu e não ser outra.
sábado, 11 de setembro de 2010
Vida dentro de nós
sábado, 4 de setembro de 2010
Valsa das Primaveras (Lavalse de Lilas)

Só por essas poucas páginas de dor
Mas enquanto houver a primavera e o amor
Veste a primavera, a primavera e vem
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Planet Copacabana
Praia de CopacabanaAqui nesse planeta bem pertinho do mar
Eu sou do Planet Copacabana, ah
Eu sou do Planet Copacabana, ah
Copacabana
Eu sou do Planet Copacabana, ah
Eu sou do Planet Copacabana, ah
Copacabana
Mas aqui nesse planeta bem pertinho do mar
Aqui no Planet, no Planet Copacabana, ah
Aqui no Planet, no Planet Copacabana...
sábado, 21 de agosto de 2010
Tempo de Travessia
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Viver é correr o risco
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre riscos é livre!
Seneca (orador romano)
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Capitu

De um lado vem você com seu jeitinho
Hábil, hábil, hábil
E pronto!
Me conquista com seu dom
De outro esse seu site petulante
www
Ponto
Poderosa ponto com
É esse o seu modo de ser ambíguo
Sábio, sábio
E todo encanto
Canto, canto
Raposa e sereia da terra e do mar
Na tela e no ar
Você é virtualmente amada amante
Você real é ainda mais tocante
Não há quem não se encante
Um método de agir que é tão astuto
Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo
É só se entregar, é não resistir, é capitular
Capitu
A ressaca dos mares
A sereia do sul
Captando os olhares
Nosso totem tabu
A mulher em milhares
Capitu
No site o seu poder provoca o ócio, o ócio
Um passo para o vício, o vício
É só navegar, é só te seguir, e então naufragar
Capitu
Feminino com arte
A traição atraente
Um capítulo à parte
Quase vírus ardente
Imperando no site
Capitu
(Luiz Tatit)
Nestrovski, Tatit & Wisnik - Capitu
Capitu (Luiz Tatit)
Músicos: Luiz Tatit (violão e voz), Zé Miguel Wisnik (piano e voz)
Arthur Nestrovski (violão), Celso Sim (voz) , Jonas Tatit (violão 7 cordas)
Sérgio Reze (bateria e percussão), Marcelo Jeneci (teclado e sanfona) e Márcio Arantes (contrabaixo)
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Extremos da Paixão










