domingo, 12 de junho de 2011

As Mensageiras



Frémito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doído anseio dos meus braços a abraçar-te,

Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,
Que nada existe que a mitigue e a farte!

E vejo-te tão longe!
Sinto tua alma Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que não me amas...

E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas...

(Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas")

sábado, 11 de junho de 2011

Blues e Vinho!

O Amor


Quando encontrar alguém e esse alguém
fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção:
pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta:
pode ser a pessoa que você está esperando
desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso,
se o beijo for apaixonante,
os olhos se encherem d’água neste momento,
perceba:
existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa,
se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração,
agradeça:
Deus te mandou um presente:
O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego
para a melhor coisa da vida:
O AMOR!

(Carlos Drummond de Andrade)


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ser feliz de novo


‎Gaste seu amor.
Usufrua-o até o fim.
Enfrente os bons e os maus momentos,
passe por tudo que tiver que passar, não se economize.
Sinta todos os sabores que o amor tem,
desde o adocicado do início até o amargo do fim,
mas não saia da história na metade.
Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo,
fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.


(Martha Medeiros)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Confusão



Meu coração é teu coração?
Quem me reflexa pensamentos?
Quem me presta esta paixão sem raízes?
Por que muda meu traje de cores?
Tudo é encruzilhada!
Por que vês no céu tanta estrela?
Irmão, és tu ou sou eu?
E estas mãos tão frias são daquele?
Vejo-me pelos ocasos,
e um formigueiro de gente anda por meu coração.

(Federico García Lorca, in 'Poemas Esparsos' Tradução de Oscar Mendes)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quantas almas tenho?


Não sei quantas almas tenho
Cada momento mudei
Continuamente me estranho
Nunca me vi nem acabei
De tanto ser, só tenho alma
Quem tem alma não tem calma
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é.


Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu
Sou minha própria paisagem
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.


Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu?"
Deus sabe, porque o escreveu.


(Fernando Pessoa)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Tô de bem!


‎Tô me afastando de tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém.
Tô me aproximando de tudo que me faz completo, me faz feliz e que me quer bem.
Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem.
Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém.
Tô trazendo pra perto de mim quem eu gosto e quem gosta de mim também.
Ultimamente eu só tô querendo ver o ‘bom’ que todo mundo tem.
Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem?
Supera, suporta, entenda: isento de problemas eu não conheço ninguém.
Queira viver, viver melhor, viver sorrindo e até os cem.
Tô feliz, tô despreocupado, com a vida eu tô de bem.

(Caio F Abreu)

sábado, 28 de maio de 2011

A gente sempre volta!



Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar.
Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor até que venha a próxima, normais que somos.


(Martha Medeiros)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Em que espelho ficou minha face?



Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
... eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?

(Cecília Meireles)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Primeiro capítulo



Dessa vez não vou evitar dizer o que está na minha cabeça só porque eu sei que minha mente geminiana vai negar no dia seguinte, não fugirei de palavras bonitas porque quem diz não é uma pessoa perfeita, não arrumarei mil defeitos pra brigar contra as novecentas e noventa e nove qualidades, não desviarei meus olhos por medo de ter minha mente lida, não sumirei por medo de desaparecer, não vou ferir por medo de machucar, não serei chata por medo de você me achar legal, não vou desistir antes de começar, não vou evitar minha excentricidade, não vou me anular por sentir demais e logo depois não sentir nada, não vou me esconder em personagens, não vou contar minha vida inteira em busca de ter realmente uma vida. Dessa vez não vou querer tudo de uma vez, porque sempre acabo ficando sem nada no final. Estou apostando minhas fichas em você e saiba que eu não sou de fazer isso. Mas estou neste momento frágil que não quer acabar. Fiquei menos cafajeste, menos racional, menos eu. E estou aproveitando pra tentar levar algo adiante. Relacionamentos que não saem da primeira página já me esgotaram, decorei o prólogo e estou pronta pro primeiro capítulo.

(Caio F Abreu)

terça-feira, 24 de maio de 2011

Exausto



Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhara leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vidafoi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.


(Adélia Prado)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Poetas Velhos

Foto Blog Paulo Leminski



Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.
Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.



(Paulo Leminski)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Som



Nenhum som me importa afora o som do teu nome que eu adoro.
E não me lançarei no abismo,
e não beberei veneno,
e não poderei apertar na têmpora o gatilho.
Afora o teu olhar
nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.

(Vladimir Maiakóvski)

sábado, 7 de maio de 2011

Anais Nin


Um homem jamais pode entender o tipo de solidão que uma mulher experimenta. Um homem se deita sobre o útero da mulher apenas para se fortalecer, ele se nutre desta fusão, se ergue e vai ao mundo, a seu trabalho, a sua batalha, sua arte.
Ele não é solitário.
Ele é ocupado.
A memória de nadar no líquido aminótico lhe dá energia, completude.
A mulher pode ser ocupada também, mas ela se sente vazia.
Sensualidade para ela não é apenas uma onda de prazer em que ela se banhou, uma carga elétrica de prazer no contato com outra.
Quando o homem se deita sobre o útero dela, ela é preenchida, cada ato de amor, ter o homem dentro dela, um ato de nascer e renascer, carregar uma criança e carregar um homem.
Toda vez que o homem deita em seu útero se renova no desejo de agir, de ser.
Mas para uma mulher, o climax não é o nascimento, mas o momento em que o homem descansa dentro dela.

(Anais Nin)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A carne é triste



A carne é triste depois da felação
Depois do sessenta e nove a carne é triste.
É areia, o prazer?
Não há mais nada
Após esse tremor?
Só esperar
Outra convulsão, outro prazer
tão fundo na aparência
mas tão rasona eletricidade do minuto?
Já dilui o orgasmo na lembrança
E gosma
escorre lentamente de tua vida.

(Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 4 de maio de 2011

John Lee Hooker, Stevie Ray Vaughan, Robert Cray, Roy Rogers — Boogie Ja...




Música me cura de tudo ... algumas partes de mim ... somente o Blues!

terça-feira, 3 de maio de 2011

Desejos


Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.
Antes, o cotidiano era um pensar alturas
Buscando Aquele Outro decantado
Surdo à minha humana ladradura.
Visgo e suor, pois nunca se faziam.
Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo
Tomas-me o corpo.
E que descanso me dás
Depois das lidas.
Sonhei penhascos
Quando havia o jardim aqui ao lado.
Pensei subidas onde não havia rastros.
Extasiada, fodo contigo
Ao invés de ganir diante do Nada.

(Hilda Hist)

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Infinito


Tô perdido por alguém
Não consigo ver nada além
Do que eu digo nada sei
Compreender o amor
Não é de hoje
Já vai longe
E nem sinal
Hoje
Estou longe
Preso a você
Livre na prisão
Sem castigo
Faz chorar
Distraído rói devagar
É pedindo que Deus dá
Por falar no amor
Acho que vou buscar
Viver por você
Ou me acabar
Quem mandou me acorrentar
Fazer-me refém
Nas grades do amor
Te vejo lá no luar
Te espero lá do sol.

(Djavan)

domingo, 1 de maio de 2011

Cólera




Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio.
Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.


(Memórias de Minhas Putas Tristes - Gabriel García Márquez)

sábado, 30 de abril de 2011

Valsa para Leila




Tu te estufará...
me neblinarei sobre os telhados, galáxia azuis.
Sonambularás, te voltarei gatos lambendo as estrelas...
Wendy e Peter Pan
sem o amanhã, nunca para nós dois, é sempre cedo.
Marietarás e eu Buarquirei em dois cavalos com asas de luz.
Tu te nublarás, me eclipsarei... nuvens em nossa cabeça.
Toma, Peter Pan, só um Lexotan pra que tanto amor não te enlouqueça.
Vagalumarás por você sobre campo o campo,
eu virei do mar, teu pirilampo...
Como um circo aceso, o céu da manhã saudará o amor que não dormir.
Tu desabará... eu despencarei... e o amor azul vai nos cobrir.

(Aldir Blanc/Guinga)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

E se tivesse ficado?



Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente?
Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais - por que ir em frente?
Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia – qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Noite e Dia


Nos lençóis da cama, bela manhã
No jeito de acordar
A pele branca, gata garota
No peito a ronronar
Seu fingir dormindo, lindo
Você está me convidando
Menina quer brincar de amar
Você esta me convidando
Menina quer brincar...
No escuro do quarto, bela na noite
Nas ondas do luar
Seus olhos negros, pantera nua
Vem me hipnotizar
Eu olho sorrindo, lindo!
Você está me convidando
Menina quer brincar de amar
Você está me convidando
Menina quer brincar...
Você está me convidando
Menina quer brincar de amar
Você esta me convidando
Menina quer brincar...

(Lobão/Julio Barroso)

John Lee Hooker: Boom Boom

Novo Novelo



Não me culpe por coisas passadas
Não reabra essas velhas feridas
Porque nas cicatrizes fechadas
Existem guardadas dezenas de vidas
Não condene essas fases erradas

E não lembre as antigas fraquezas
Que das recordações apagadas
As mais atiçadas são de novo acesas
Não me queira mudar as passadas

Não procure afastar-me das ruas
Porque na confusão das calçadas
Existem ciladas maiores que as tuas
Não receie por causas deixadas

Não se iluda com o seu pesadelo
Porque a vida no fim das estradas
Começa as meadas de um novo novelo


(Sueli Costa/Paulo César Pinheiro)

sábado, 23 de abril de 2011

Jobim ... Falando de Amor




Se eu pudesse por um dia
Esse amor, essa alegria
Eu te juro, te daria
Se pudesse esse amor todo dia
Chega perto, vem sem medo
Chega mais meu coração
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro canção
Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro, teu jeito de flor
Não negavas um beijinho
A quem anda perdido de amor
Chora flauta, chora pinho
Choro eu o teu cantor
Chora manso, bem baixinho
Nesse choro falando de amor

Quando passas, tão bonita
Nessa rua banhada de sol
Minha alma segue aflita
E eu me esqueço até do futebol
Vem depressa, vem sem medo
Foi pra ti meu coração
Que eu guardei esse segredo
Escondido num choro canção
Lá no fundo do meu coração


(Antonio Carlos Jobim)


domingo, 27 de fevereiro de 2011

Desafinados

Foto Harica Oren



Eu queria o dia
Para ver os olhos da amada
Eu queria poesia
Para ver a música nascida com o tempo
Eu queria um alento arredio
Que me embrulhasse a candura
Do cio
Na seu calibre de navio
Na sua sustança de pavio
Que monta guarda no paiol.
Eu queria o amor embrulhado na paixão
Com seus rigores de sol.
Eu queria a noite
Com seus mares de açoite
Desafinados em si bemol.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

100 anos de Noel Rosa

Foto site entrelinhas



O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia

(Filosofia - Noel Rosa)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Flores de Amsterdã


Foto John Land



As mulheres mais lindas do mundo
E eu lembrando da minha
Como pode um amor ir mais fundo no meu coração?
Quanto mais uma loura me olhava
Eu mais, minha neguinha,
Te lembrava e dizia "D'ocê eu num largo mais não"
Mais levava tua foto apertada em meu peito praieiroMais inteiro me via e pra Santa fazia oração
Que quem guia, guiasse

Quem reza, rezasse
Quem fala, falasse
Ou cantasse com a voz cirandeira
Que quem toca, tocasse

Quem chora, chorasse
Quem cala, calasse
E ouvisse e eu soubesse alemão
Que um xodó lindo assim como o nosso

Fosse a vida inteira
Fosse além desse mundo de barro
Cabasse mais não
Crie filhos e forças e rumos

Parasse mais não
Fosse além desse mundo de barro
Quebrasse mais não
Flores de Amsterdã

Beijos de hortelã
Para minha neguinha
Tarde, noite e manhã
Corpo e mente sã
Para minha neguinha

(Lui Coimbra)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Amando Loucamente

Tela Amadeo Modigliani



Andei amando loucamente, como há muito tempo não acontecia. De repente a coisa começou a desacontecer. Bebi, chorei, ouvi Maria Bethânia, fumei demais, tive insônia e excesso de sono, falta de apetite e apetite em excesso, vaguei pelas madrugadas, escrevi poemas (juro). Agora está passando: um band-aid no coração, um sorriso nos lábios e tudo bem. Ou: que se há de fazer.


(Caio Fernando Abreu)

sábado, 18 de setembro de 2010

Aflição




Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

(Hilda Hilst)

sábado, 11 de setembro de 2010

Vida dentro de nós

Foto: Baldomero Coelho

Esta alma, ou vida dentro de nós, sem opção concorda com a vida exterior.
Se alguém tiver a coragem de perguntá-la o que pensa, ela está sempre dizendo exatamente o oposto do que as outras pessoas dizem.


(Virginia Woolf)

sábado, 4 de setembro de 2010

Valsa das Primaveras (Lavalse de Lilas)



Não se perde a vida assim como você
Que não procura ao menos esquecer
E fica só sem mais pra o que viver
E um pouco pranto
Só por essas poucas páginas de dor
Você fechou o livro do amor
Se deu à morte e desacreditou
Mas enquanto houver a primavera e o amor
Não morrerá, não morrerá essa flor
Que enfeita o peito em festa dos que se amam
Veste a primavera, a primavera e vem
Fazer o amor, colher o amor também
Há quem procura, te procura e quer
Abrir em flor teu corpo de mulher

(Eddie Marnay /Michel Legrand /Eddie Barclay - versão: Taiguara)

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Planet Copacabana

Praia de Copacabana


O pó ta acabando e a princesinha quer mais
Aqui nesse planeta bem pertinho do mar
Nasci, e me criei e aprendi a me virar
Logo cedo percebi que não dava pra aturar
Mãe viúva, cinco irmãos e um padrasto a me secar
E, de repente, olhando de relance para a rua
Não me pareceu que a noite fosse tão escura
E, pensando bem, melhor seguir outro caminho
Se eu ficar o bicho come no meu próprio ninho.
Eu sou do Planet Copacabana, ah
E a princesinha do mar tá fazendo a maior grana
Na beira da praia, bem junto ao céu
Só falta descolar outro cliente e um papel
Eu sou do Planet Copacabana, ah
E pra você eu to fazendo a 80 essa semana
16 aninhos de puro prazer!
Eu faço de um tudo, o que é que vai querer?
Copacabana
Aqui no Planet, no Planet Copacabana
Copacabana ...
Aqui nesse planeta bem pertinho do mar
Ainda sobra muito tempo pra gente sonhar
Qualquer dia, num programa, ainda vou encontrar
Um gringo cheio do "din-din" que vai, por mim, se apaixonar
Me levar pro seu país e, comigo, se casar
Vou ter um filho de olho azul e muito "money" pra gastar
Ou então fazendo a vida, vou juntar meu pé-de-meia
Pra poder me aposentar quando eu 'tiver mais velha e feia!
Eu sou do Planet Copacabana, ah
E a princesinha do mar tá fazendo a maior grana
a beira da praia, bem junto ao céu
Só falta descolar outro cliente e um papel
Eu sou do Planet Copacabana, ah
E pra você eu to fazendo a 50 essa semana
22 aninhos de puro prazer!
Eu faço de um tudo, pra poder viver!
Copacabana
Aqui no Planet, no Planet Copacabana
Copacabana...
Mas aqui nesse planeta bem pertinho do mar
A maré não ta pra peixe, já não dá pra faturar
To com "28" e já to meio caída
E o dinheiro não ta dando pra pagar a cocaína
Moro numa vaga, já há 12 anos
Mas viciada não consigo juntar nada do que eu ganho
O carro já não pára, tem em cada esquina
Uma garota de 14 que é a nova princesinha
De Copacabana
Aqui no Planet, no Planet Copacabana, ah
De Copacabana ...
E a princesinha do mar tá fazendo a maior grana
Na beira da praia, bem junto ao céu
Só falta descolar outro cliente e um papel
Eu sou do Planet Copacabana, ah
E pra você eu to fazendo a 25 essa semana
Já não digo a minha idade, já não dou tanto prazer
Mas eu faço de um tudo pra sobreviver
Copacabana
Aqui no Planet, no Planet Copacabana...
(Bia Pontes)
Música do Filme Copacabana Direção Carla Camurati

sábado, 21 de agosto de 2010

Tempo de Travessia

Foto by Foguinho


Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.

(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Viver é correr o risco

Tim Holter


Rir é correr risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre riscos é livre!


Seneca (orador romano)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Capitu


De um lado vem você com seu jeitinho

Hábil, hábil, hábil
E pronto!
Me conquista com seu dom
De outro esse seu site petulante

www
Ponto
Poderosa ponto com
É esse o seu modo de ser ambíguo

Sábio, sábio
E todo encanto
Canto, canto
Raposa e sereia da terra e do mar
Na tela e no ar
Você é virtualmente amada amante

Você real é ainda mais tocante
Não há quem não se encante
Um método de agir que é tão astuto

Com jeitinho alcança tudo, tudo, tudo
É só se entregar, é não resistir, é capitular
Capitu

A ressaca dos mares
A sereia do sul
Captando os olhares
Nosso totem tabu
A mulher em milhares
Capitu
No site o seu poder provoca o ócio, o ócio

Um passo para o vício, o vício
É só navegar, é só te seguir, e então naufragar
Capitu

Feminino com arte
A traição atraente
Um capítulo à parte
Quase vírus ardente
Imperando no site
Capitu

(Luiz Tatit)

Nestrovski, Tatit & Wisnik - Capitu





Capitu (Luiz Tatit)



Músicos: Luiz Tatit (violão e voz), Zé Miguel Wisnik (piano e voz)
Arthur Nestrovski (violão), Celso Sim (voz) , Jonas Tatit (violão 7 cordas)
Sérgio Reze (bateria e percussão), Marcelo Jeneci (teclado e sanfona) e Márcio Arantes (contrabaixo)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Extremos da Paixão




Não compreendo como querer o outro possa tornar-se mais forte do que querer a si próprio. Não compreendo como querer o outro possa pintar como saída de nossa solidão fatal.
Mentira: compreendo, sim.
Mesmo consciente de que nasci sozinho do útero de minha mãe, berrando de pavor para o mundo insano, e que embarcarei sozinho num caixão rumo a sei lá o quê, além do pó.
O que ou quem cruzo esses dois portos gelados da solidão é vera viagem: véu de maya, ilusão, passatempo. E exigimos o eterno do perecível, loucos.

(Caio Fernando Abreu)

sábado, 31 de julho de 2010

Vem lutar comigo num corpo a corpo


Ouse, ouse... ouse tudo!!!
Não tenha necessidade de nada!
Não tente adequar sua vida a modelos,nem queira você mesmo
ser um modelo para ninguém.
Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.
Se você quer uma vida,aprenda ... a roubá-la!
Ouse, ouse tudo!
Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer.
Não defenda nenhum princípio,mas algo de bem mais maravilhoso:algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!
Quem pois, dominado por ti, poderá escapar,se sentiu teu grave olhar voltado para ele?
Eu não fugirei, se me apanhas
jamais crerei que só fazes destruir!
Entretanto tu também, mereces ser vivida!
Claro, não és um espectro da noite
Vens lembrar tua força ao espírito: é o combate que engrandece os maiores.
O combate como derradeiro alvo, por caminhos
Por isso, se só podes me ofertar, ó dor.
Em lugar de felicidade e do prazer, a verdadeira grandeza.
Vem lutar comigo, num corpo a corpo
Vem lutar comigo, na vida e na morte
Mergulha no fundo do coração,
Mergulha no mais profundo da vida
Leva para longe o sonho da felicidade e da ilusão
Leva para longe o que não merecia um infindo esforço.
Nunca triunfará verdadeiramente sobre o homem autêntico
Mesmo que ele te ofereça teu peito nu
Mesmo que se aniquilasse, desaparecesse na noite!
És apenas um pedestal para a grandeza do espírito!
No mais profundo de si mesmo, o nosso ser rebela-se em absoluto contra todos os limites.
Os limites físicos são nos tão insuportáveis quantos limites do que nos é psíquicamente possível: não fazem verdadeiramente parte de nós.
Circunscrevem-nos mais estreitamente do que desejaríamos.
(Lou Salomé)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Dedicado a Você




Vem,
Se eu tiver você no meu prazer
Se pudesse ficar com você
Todo o momento, em qualquer lugar
Ah!
Se no desejo você fosse o amor
Durante o frio fosse o calor
Na minha lua, você fosse o mar
Vem, meu coração se enfeitou de céu
Se embebedou na luz do teu olhar
Queria tanto ter você aqui!
Ah! Se teu amor fosse igual ao meu
Minha paixão ia brilhar, e eu
Completamente ia ser feliz!


(Dominguinhos e Nando Cordel)

domingo, 11 de julho de 2010

Sou música alta e silêncio



Não me prendo a nada que me defina.
Sou companhia, mas posso ser solidão.
Tranqüilidade e inconstância, pedra e coração.
Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono.
Música alta e silêncio.
Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser.
Não me limito, não sou cruel comigo!
Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer… Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. ou toca, ou não toca.

(Clarice Lispector)

sábado, 26 de junho de 2010

Igual - Desigual


Eu desconfiava:
Todas as histórias em quadrinhos são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos os países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e internacionais de futebol são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais

Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e rondós são iguais.
E todos, todos os poemas em versos livres são enfadonhamente iguais.

Todas as guerras do mundo são iguais.
Todas as fomes são iguais.
Todos os amores iguais, iguais, iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa.
Ninguém é igual a ninguém.
Todo o ser humano é um estranho
Impar.

(Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Meu Amor

Foto Helmut Newton


O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz...

(Chico Buarque)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Niver e Samba

Foto by Aline Ferraz


Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim
O grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão
Pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua de mel
Em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé
No grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas
Uma pedra no meu peito
Exijo respeito
Não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira...


(Samba do Grande Amor - Chico Buarque)

terça-feira, 15 de junho de 2010

O Violão




Um dia eu vi numa estrada
Um arvoredo caído
Não era um tronco qualquer
Era madeira de pinho
E um artesão esculpia
O corpo de uma mulher
Depois eu vi
Pela noite
O artesão nos caminhos
Colhendo raios de lua
Fazia cordas de prata
Que, se esticadas, vibravam
O corpo da mulher nua
E o artesão, finalmente
Nesta mulher de madeira
Botou o seu coração
E lhe apertou contra o peito
E deu-lhe nome bonito
E assim nasceu o violão.

(Sueli Costa/Paulo César Pinheiro)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Frida

Frida Kahlo



Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.



(Frida Kahlo)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

40 anos



São 40 anos de aventuras
Desde que mãe teve a doçura
De dar a luz pra esse seu nego
E a vida cheia de candura
Botou canção nesses meus dedos
E me entregou uma partitura
Pra eu tocar o meu enredo
Sei que às vezes quase desatino
Mas esse é o meu jeito latino
Meio Zumbi, Peri, Dom Pedro
Me emociona um violino
Mas também já chorei de medo
Como chorei ouvindo o Hino
Quando morreu Tancredo
Dos 40 anos de aventuras
Só 20 são de ditadura
E eu dormi, peguei no sono,
E acordei no abandono
meu país tava sem dono
E eu fora da lei
Me apaixonei por Che Guevara
Quase levei tapa na cara,
Melhor é mudar de assunto
"Vamo" enterrar esse defunto
Melhor lembrar de "Madalena"
De Glauber Rocha no cinema
Das cores desse mundo
Jimmy, Janis Joplin e John Lennon
Meu Deus, o mundo era pequeno
E eu curtia no sereno
Gonzaguinha e Nascimento
O novo renascimento
Que o galo cantava
"Ava Canoeiro", "Travessia" Zumbi no "Opinião"sorria,
De Elis surgia uma estrela
Comprei ingressos só pra vê-la
Levei a minha namorada
Com quem casei na "Disparada"
Só para não perdê-la
Lavei com meu pranto os desatinos
Pra conversar com meus meninos
Sobre heróis da liberdade
De Agostinho de Luanda
A Buarque de Holanda
Foram sóis na tempestade
Mesmo escondendo tristes fatos
Curti o tricampeonato
Porque também sou batuqueiro
Como eu nasci em fevereiro
O carnaval tá no meu sangue
Sou dos palácios, sou do mangue,
Enfim sou brasileiro
Hoje o que está valendo a pena
É correr a mil com Ayrton Senna
Cantar com o primeiro do mundo
Que sentimento profundo
Tem esse Milton Nascimento
E que mulher forte e danada
É a tal de Sônia Braga
Eu sou Fittipaldi, eu sou Hortência
Dou de lambuja a minha vidência
Não conheço maior fé
Que a de Chico Xavier
Que para Deus já é Pelé
Que é o nosso rei da bola
Rola essa pelota companheira
Judô pra que se a capoeira
Pode dar tombo em capataz
Mandinga,dou pra satanás
Se a Broadway conhecer Mangueira
Bumba meu boi, na alma estrangeira
Primeiro mundo, samba
Quem tem Raoni, tem Amazônia
Se está sofrendo de insônia
É por que tem cabeça fraca
Ou está deitado eternamente
Em berço esplêndido, ou é babaca,
Ou tá mamando nessa vaca
O leite dos inocentes
Vamos terminar nosso sambinha
Vamos cantar juntos meu povo
Primeiro romper a galinha
Depois que ela botar o ovo
É só quebrar essa casquinha
Então nos transformar em pinto novo
Depois de grande virar galo de rinha
Vamos ensaiar, oh... minha gente,
Levar nosso Brasil pra frente...

(Altay Veloso/Paulo César Feital)
PS.: música na voz de Celso Lago... um luxooo!!!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Amigos





Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

(A Lista - Oswaldo Montenegro)