Foto: Blog 1000 Imagens (Paul Verlaine in "Melancolia" Tradução de Fernando Pinto do Amaral)
Foto: Blog 1000 Imagens
Nem Vem
Que Não Tem
Nem vem de garfo
Que hoje é dia de sopa
Esquenta o ferro
Passa a minha roupa
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundáS
acundim, gundim, gundá!...
Nem Vem
Que Não Tem
Nem vem de escada
Que o incêndio é no porão
Tira o tamanco
Tem sinteco no chão
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...
Nem Vem!
Numa casa de caboclo
Já disseram um é pouco
Dois é bom, três é demais
Nem Vem!
Guarda teu lugar na fila
Todo homem que vacila
A mulher passa prá trás...
Nem Vem
Que Não Tem
Prá virar cinza
Minha brasa demora
Michô meu papo
Mas já vamos embora
Eu nesse embalo
Vou botar prá quebrar
Sacudim, sacundá
Sacundim, gundim, gundá!...
(Carlos Imperial - gravação Wilson Simonal)


Mas quem sou eu para censurar os culpados? O pior é que preciso perdoá-los. É necessário chegar a tal nada que indiferentemente se ame ou não se ame o criminoso que nos mata. Mas não estou seguro de mim mesmo: preciso perguntar, embora não saiba a quem, se devo mesmo amar aquele que me trucida e perguntar quem de vós me trucida. E minha vida, mais forte do que eu, responde que quer porque quer vingança e responde que devo lutar como quem se afoga, mesmo que eu morra depois. Se assim é, que assim seja.
(Clarice Lispector)


"É bonito ver passar o tempo
Eu triste sou calada



A Família - Tarsila do Amaral


No Elevador do Filho de Deus
Responda depressa quem se acha esperto

Mudaram as estações nada mudou
Ouvi dizer que são milagres

Ponho os meus olhos em você se você está


Já passou, já passou
"Gosto dos venenos mais lentos,





Abraça-me...
me aperte junto ao seu corpo
dê seu peito desnudo para que eu debruce
o meu choro manso que você transformou
em uma caudalosa e densa volúpia
deixe que eu me aqueça em seus braços
que provaram ser fortes e meigos
quando sem vergonha ou pudor
me atirei para os seus beijos.
A magia evolui em cadências sensuais
nas mãos sequiosas de carinhos
que distribuimos um ao outro...
mesclando breves e doces sussurros
perdendo-se na brisa fresca
que lívida de inveja ia recolhendo todo êxtase
que nós produzíamos meio a palavras
desconexas
moldando um frenesi desvairado.
Abraça-me...
não diga que vai embora, ainda quero mais
nem que esteja prometendo voltar
quero viver essa ardente quimera
me sacie com tudo que puder
não deixe secar nem a sua nem a minha boca
me toque, me molhe por quanto tempo puder
pois todas as horas do mundo
no seu aconchego quero assim ... ficar!

O Sono - Tarsila do Amaral
"O céu azul sobre nós pode desabar


